Monday, 12 November 2012

Montréal??? Não, não é Canadá!!!


Qualquer sujeito desavisado chegando ao Canadá pela primeira vez,  quando botar o pé fora do corredor de desembarque no aeroporto Trudeau, pode até pensar que esqueceu de puxar a cordinha no lugar certo e desceu na parada errada (o que me ocorreu no final de década passada, era pra descer em Pato Branco e fui acordar em Palmas, PR). Isto pode ocorrer, porque o camarada vai procurar pela exit que existe em todos os aeroportos do mundo, até no aeroporto de Chapecó, mas não aqui, em pleno Canadá, país anglófono! Sim, e Montréal ainda é a cidade mais canadense desta província, o Québec.



 A história é longa e fascinante (estou lendo um livreto sobre o Québec), mas de forma resumida, pode-se dizer que os ingleses chegaram aqui primeiro, lá por 1500, ficaram um ou dois janeiross, não guentaram o repuxo do inverno e do minuano que desce da Groenlândia, e levantaram acampamento. Algumas décadas mais tarde, os franceses chegaram, e apesar da fama de afeminados, guentaram o frio e se estabeleceram. Algumas décadas mais tarde os ingleses voltaram, principalmente subindo de terras ianques, quando já se avizinhava a independência estadounidense (já estamos em meados do século XVIII agora). Nesta época, uma enxurada de ingleses súditos da rainha também subiram pra cá, pois não queriam deixar de ser ingleses e se tornar estadounidenses. Daí o bicho pegou, e no final, os ingleses ganharam as principais batalhas, em 1760 Montreal foi tomada pelos ingleses, e no final das contas,  sobrou aos franceses, este pedaço de terra aqui, o famoso Québec, a maior província canadense.



Bom, voltando ao sujeito perdido no aeroporto, ele seguirá perdido e desorientado quando começar a andar pela cidade. Praticamente nada aqui está escrito em inglês, seja em anúncios e comércios privados, muito menos prédios públicos provincianos. Na verdade, no Brasil tem mais anúncios em inglês do que aqui, tipo 50% off, festa open bar, internet wireless, festa ladies first, sem contar as baladas top (!), se não tiver o nome em inglês, não é top, haha, até os DJ (disk jockey, vulgos enfiadores de pen drive) são chamados de tops.


Experimente caminhar pela cidade, exceto no centrão, bem no miolo, no resto quase só se houve o francês sendo falado. No meu caso, que vivi no ano passado na parte inglesa do Canadá, a minha primeira impressão de Canadá foi outra, então é raro não ter a sensação de estar em outro país,  pois a língua é a maior identidade de um povo, e aqui o povo se identifica de outra forma. Ok, mas grande parte (chuto aí uns 80%) do montrealenses falam inglês (bem ou tipo eu, meia boca). Afinal, Montreal é uma metrópole, que recebe gente do mundo todo, mendigo pede esmola em francês e daí você se acha malandro, e manda pra ele: - Désolé, je ne parle pas français. Daí o mendigo te pede esmola em inglês. Aí o safado sempre me ganha, eu me obrigo a dar uns trocados, pô, o cara é melhor que eu e tá mendigando!!! Mas nas cidades da grande Montreal, ou mesmo em Québec City, capital da província, e outras cidades, quase ninguém fala inglês. Estive em outras cidades daqui, e mesmo jovens, em restaurantes, bares, não sabem inglês, normalmente o atendente sai procurando algum colega para te atender (isso se vc não falar francês, obviamente, o que ainda é o meu caso, infelizmente). No ano passado, em Halifax (parte inglesa) eu tinha colegas universitários que estavam de férias fazendo aulas de inglês comigo, ou seja, aprendendo inglês junto com canadenses!



Bom, a sensação é de estar em outro país, no meio de outro povo, com outra história, e quando na sua sala você liga a janela para o mundo (como dizia Nelson Rodrigues), você assiste o mundo em francês, mas mesmo assim, tudo isso continua sendo Canadá, menos para os quebequences, of course! Opa, digo, Bien sûr que non.