Saturday, 16 July 2011

A AUSENCIA PODE APARECER MAIS QUE A PRESENÇA - Vida e Ciencia

Lah em Pato Branco, em meados dos anos 80 havia um grande granjeiro (como diz meu avô) na comunidade do Passo da Pedra (homenagem ao Cabelo). Este granjeiro tinha de tudo, terras, gado, tratores, F1000 duplada, video-cassete, aparelho 3 em 1,  viajava de onibus leito pra Curitiba anualmente, bebia um Drurys toda noite, e outras coisas mais. Enfim, tava bem de vida apesar da inflaçao.



Mas de vereda, este vivente começou a emagrecer repentinamente, perdia um quilo mais rapido que a Renata Ceribelli. Em poucos meses quando tava de frente parecia que tava de lado, e de lado parecia que jah tinha ido. Pois bem, o indio velho começou a ficar preocupado. O comentario entre a avenida Tupi e a Guarani nao era outro, o Seu Tavarez deve ter pego AIDS na zona. a AIDS tava surgindo naquela época, de vez em quando aparecia algo sobre ela no Fantastico. Por causa disso, medo da AIDS, ele preferiu nao ir se consultar e fazer exames na PoliClinica ou no hospital Sao Lucas, foi atras de um curandor famoso.




O curandor morava no Rincao Torcido, entre os municipios de Palmas e Clevelandia, nas entranhas do sudoeste. Chegou lah e o curandor analisou, analisou, pelou o granjeiro e disse:
- Olha, fique feliz. Pelos ultimos artigos que li no PubMed (curandor baseado na ciencia), nao é AIDS, fique tranquilo, pois se fosse, ia ser dificil curar. Na verdade o senhor tem Solitaria! Soh isso, uma solitaria, e pra resolver isso faremos um tratamento milenar. O senhor vai comer no café da manha durante 30 dias apenas uma banana caturra, uma copo de leite e uma torrada. Sempre nessa sequencia! Soh isso, e volte em 30 dias aqui as 5 da manha em jejum.

E voltou pra casa o granjeiro, com sua F1000, feliz mas tambem duvidando de tudo se resolver de uma forma assim tao simples. Mas seguiu o tratamento a risca. Serah que uma unica solitaria (licença poética para a redundancia) poderia estar roubando toda minha comida??



Depois de trinta por-do-sois, ainda antes do galo pampeano cantar, lah tava o granjeiro, ansioso pra mais uma consulta com o curandor. O granjeiro entrou e jah foi se pelando e deitando na velha maca, em frente a uma prateleira cheia de poçoes, chas e remedios milagreiros. O curandor falou:
- Nao nao, fica de roupa mesmo, soh dê uma frouxada na guaiaca e abre o colarinho da camisa. E te deita ae indio velho.




Deitou, e entao a ajudante do curandor que assim como a do Analista de Bagé tambem se chamava Lindaura, trouxe uma bandejinha com uma banana caturra e um copo de leite.

- Que hora vc costuma tomar café? -  perguntou o curandor.
- Pelas 5 e meia doutor, antes de repontar as vaca pra ordenha.






Entao, o curandor esperou ateh as 6, e sentiu jah a solitaria se mexendo na barriga do granjeiro.

- Lindaura, dê a banana e o leite pra solitaria, quer dizer, pro seu Tavarez.
O granjeiro comeu a banana e tomou o leite. O curandor esperou cinco minutos e percebeu  que o granjeiro tava começando a ficar sem ar. O curando pegou o canivete e foi pra cima do granjeiro. Granjeiro pensou, 'pronto, esse filho-da-puta vai me matar agora e ficar com minha F1000 duplada!'




Nada, o granjeiro viciou a safada da solitaria. Que estava acostumada a todo-santo-dia comer banana, leite e  torrada. Quando, a torrada nao veio, ela foi subindo, subindo, trepando pelo esofago do granjeiro mais magro que o Seu Madruga. O granjeiro ficou sem ar, falta de ar origina vacuo, vacuo faz empuxo, a solitaria subiu ainda mais, alem de estar tarada por uma torrada e quando chegou na goela do granjeiro, o curandor meteu a mao esquerda no pescoço da safada e com a direita passou o canivete. Matou a solitaria, que ainda bem, era soh uma, hehe.



Na foto acima o curandor e a Lindaura exibindo a solitaria retirada do Seu Tavarez.


Pronto. Simples assim,  graças a ausencia da torrada, este caso pôde ser resolvido.

Bom, esta pequena historinha foi soh pra demonstrar a importancia da ausencia. Um dos principais motivos que escolhi em vir aqui pro Canada fazer estagio foi por causa de uns camundongos geneticamente modificados aqui. Ou seja, esses camundongos sao iguais aos outros, com um diferencial apenas, eles nao possuem uma proteina que fica dependurada na beira da célula. Essa proteina se chama A1.




 Os resultados de meus experimentos no Brasil sugeriram que a molecula que eu estudo, que se chama INOSINA,  tem efeito analgésico porque se liga nesta proteina A1. No entanto, uma forma de  saber se realmente a molécula depende dessa proteina para causar efeito e reduzir a dor, é utilizar animais que nao possuem esta proteina.


Logo, se quando eu der Inosina aos camundongos que nao possuem a proteina A1, a Inosina nao mais apresentar efeito, eu poderei concluir que sim, realmente, a Inosina, depende desta proteina para causar efeito analgesico. E assim, descobrir como esta molécula funciona :). Bom, tudo isso expliquei pro meu compadre Alexandre de Blumenau antes de viajar, qualquer duvida falem com ele, ele tah sabendo tudo certinho.




Entao, finalmente, ta ae, o resultado que fez o professor Adair e eu felizes, nos camundongos que nao possuem a proteina A1, a Inosina nao teve efeito analgesico. Logo, eureka, esta molécula precisa desta proteina, é assim que ela funciona! Mais uma vez, demonstrando a importancia da ausencia na resoluçao de um problema.



Portanto, qual a mensaagem que fica? Muitas vezes pessoas que pretendem aparecer gostam de sempre estar presentes em todas as situaçoes. Quando na verdade, muitas vezes a ausencia aparece mais que a presença!

Hehe, que conclusao idiota de bebado de buteco!!!

2 comments:

  1. Fenomenal Ney, foi a história com mais rodeio q eu já ouvi, mas foi muito bem contada... agora sai o baids, pode mandar o meu querido la entrar em contato... abraço e parabens!

    ReplyDelete
  2. Que massa Nédyson! Parabéns!! O seu Tavarez continua lá no passo da pedra, mas como agora ele faz criação de solitária no açude condicionado da fazenda e vende pros restaurantes da região, trocou a F1000 por uma mas nova, turbinada e tudo.
    Acho que você precisa citar o seu Tavarez aí no artigo que vai sair.
    Abração!!

    ReplyDelete